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quinta-feira, agosto 05, 2010


Vale do Jequitinhonha discute a possibilidade de ocupar uma vaga na Assembléia com candidato da região


Cerca de 600 mil eleitores, mais de 1 milhão de habitantes e um território que representa aproximadamente 15% do Estado de Minas Gerais, o Vale do Jequitinhonha almeja novamente, ao menos, uma das cadeiras da Assembléia Legislativa para compor o cenário político estadual. Contudo, através de um nome que não tenha só raízes, mas que respire o Vale. Alguém que represente uma alternativa aos políticos locais, a fim de, preencher uma lacuna do poder público no que se refere às ações para um desenvolvimento integrado de uma das regiões mais ricas do Estado em recursos naturais e cultura, mas fragmentada em organização e planejamento. Por isso, cidadãos de diversas cidades do Vale, suas lideranças, entidades sociais, igrejas e políticos comprometidos com a mudança da realidade, vêm fortalecendo o movimento natural por uma candidatura regional. A forte adesão de setores da Igreja Católica e de grupos Evangélicos, além de lideranças sociais e políticas,das mais diversas colorações partidárias, mostra a preocupação por um novo tempo no Vale do Jequitinhonha.

Um típico

filho do Jequitinhonha surge como opção na disputa para Deputado Estadual. Empenhado na mudança dos paradigmas políticos vigentes na região, Dr. Jean Freire, médico, hoje com atuação em Almenara, Araçuaí, Itaobim, Medina e Monte Formoso; e vereador em Itaobim, o mais bem votado nos últimos dois pleitos, tem contribuído de forma pontual, porém muito eficaz, não somente através do

exercício de sua profissão e do mandado para o qual foi eleito, mas também por meio de ações sociais simples que mudam profundamente a vida de algumas famílias. De origem humilde, é o penúltimo dos nove filhos de pais trabalhadores rurais, onde tinham uma pequena porção de terra, mas resolveram mudar para a cidade, com o intuito de investir na educação dos filhos mesmo a duras penas.

Jean Freire cursou medicina contando com a solidariedade de muita gente que apostou em seu potencial. Pessoas que faziam um pedido: “volte para sua região e ajude aquele povo”. Ele retornou à sua terra para exercer sua profissão e retribuir a ajuda que teve, através do trabalho, cuja importância é incalculável, pois a saúde no Vale do Jequitinhonha carece de melhores acessos, infra-estrutura e profissionais qualificados. Retornou e não foi só, voltou casado e com uma médica pediatra, especialidade também pouco encontrada na região. Após seu

regresso, retomou a militância política em Itaobim, já exercida quando mais jovem, e com a insistência de alguns amigos e lideranças locais foi candidato a vereador em 2004, eleito o mais bem votado da história. Quatro anos mais tarde, em 2008, concorreu mais uma vez e novamente foi vitorioso com votação recorde, provando que seu trabalho foi aprovado pelo povo.

Segundo Dr. Jean Freire, dentro de casa a decisão de concorrer a um cargo público eletivo não foi de um dia para noite; em conversa com sua esposa, Dra. Alexandra, decidiram que o salário de vereador não seria utilizado em benefício próprio ou com despesas pessoais. A partir daí foram realizadas algumas ações sociais, e hoje uma se destaca até pela consistência de sua origem, como o próprio Dr. Jean costuma dizer: “busco neste projeto retribuir o que fizeram comigo enquanto sonhava em ser médico. É uma forma de mostrar para os jovens que eles não estão sozinhos na busca de seus sonhos; quando queremos algo é preciso ir atrás, e podemos contar com a solidariedade das pessoas para realizá-los”. O projeto Casa do Estudante acolhe e oferece à jovens do Vale do Jequitinhonha estrutura de moradia e acompanhamento para cursar nas faculdades da cidade de Teófilo Otoni um curso superior. Todos que participam da Casa entram assumindo um compromisso:

quando se formar

retorne à região

para contribuir com desenvolvimento da mesma.

Além desse projeto, Dr. Jean desenvolve outros nas áreas de saúde, educação e cultura. E afirma que isso é apenas o início do que gostaria de ver e fazer pela região que é lembrada muitas vezes como o Vale da Miséria, o Vale da Pobreza. “No Vale do Jequitinhonha existe pobreza sim, pois há certo descaso e oportunismo por parte de uns, inclusive de alguns políticos de nossa região, mas vejo no olhar de cada morador a esperança de dias melhores. Felizmente há também muitas lideranças que estão preocupadas com o nosso desenvolvimento e espero caminhar junto com eles nessa busca de um Vale de Riquezas”, completa o Dr. Jean. Em algumas cidades do Vale, segundo ele, a “briga” política se arrasta há anos, normalmente entre duas facções políticas, onde as discussões de propostas desenvolvimentistas são deixadas de lado pela busca do poder. Ainda existem pessoas e grupos que se sentem “amarrados” aos prefeitos, vereadores, ou mesmo deputados (todos de fora), que através de pequenos favores, conseguem dar um “nó” nas iniciativas que buscam discutir um desenvolvimento regional. O que leva a um

loteamento eleitoral. E reservadas as raras exceções, alguns já chegam a se sentir “donos” do eleitorado, amontoados pelos chefes políticos, como se fossem gado para corte.

Recentemente o Vale do Jequitinhonha perdeu os rumos sobre a proposta de criação de uma unidade de beneficiamento de Biodiesel da Petrobras, o que geraria cerca de 6.000 empregos, porém tal proposta acabou seguindo para a região de Montes Claros. A UFVJM - Universidade dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - enfim foi implantada, mas os campis ficaram um pouco fora da rota (um em Diamantina, outro em Teófilo Otoni), e as novas unidades serão criadas fora da região (Curvelo e Governador Valadares). Isso tudo é mera coincidência? Ou falta de força política? Houve muitos avanços na era Lula, isso é indiscutível, mas faltou ousadia e representação política.

Nesse cenário, a candidatura à Deputado Estadual de Dr. Jean surge como um divisor de águas, o que pode até levar ao surgimento de uma terceira via em alguns locais, por meio da formação de novos grupos, idealizados com o objetivo de discutir uma nova realidade, o que enriquece o processo democrático, uma vez que gera maior equilíbrio entre as forças políticas nas próximas eleições municipais, a partir da inserção de novas lideranças. Alguns grupos ligados à produção rural, ao comércio, à saúde, à educação, ao esporte, à cultura e ao meio-ambiente vêem também a necessidade urgente da formulação de políticas públicas que possam nortear e fortalecer o seu setor na região. Seria como se estivéssemos colocando em prática o tão discutido “voto distrital”, proposta política tão sonhada pelas regiões menos favorecidas do país, mas que espera adormecida nas gavetas de congressistas em Brasília.

Conhecido no país inteiro como por sua condição de subdesenvolvimento, o Vale do Jequitinhonha espera que seus filhos se mobilizem para a necessária e tardia mudança, cujo objetivo principal é a retomada das rédeas, num galope ligeiro rumo ao "Vale da Esperança, o Vale das Oportunidades". É nesse cenário que se espera um despertar, sobretudo das lideranças da região, para uma nova realidade, onde os “nós” que deixam vinculados a essa dependência sejam desamarrados, dando liberdade para planejar um futuro próspero. E esse futuro passa pela escolha dos seus representantes na Assembléia Legislativa.

É esperar pra ver!

(com colaboração de Higino e Hugo)